Até quem não deita na cama também faz a fama

Postado em 30 de set de 2011 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Todo mundo tem sua fama.

Lutamos contra elas ou não, isso não importa, porque as pessoas vão continuar nos atribuindo características de acordo com a visão que têm de nós.

Mas de todas as reputações, as que me causam mais estranheza e curiosidade são as famas de "puta" e a de "come quieto", principalmente por serem inversamente proporcionais no sentido de sua manutenção.

Tome como exemplo uma garota que possua todas as características da popular "galinha". Fica com qualquer um, corneia o namorado com o irmão de 16 anos dele, bebe às custas de trouxas na balada, vai pra um batizado usando uma mini-saia de vinil e salto plataforma, enfim, se houvesse um check-list de elementos que identifiquem uma galinha, ela teria mais ítens conferidos do que um Boeing pronto para decolar rumo à Tóquio.

No entanto se você conversar com ela, vai pensar que é mais santa do que a sua avó.

Não gosta de falta de respeito, só sai pra dançar, nunca pegou o moleque de 16 anos (isso é fofoca da puta da ex-namorada do namorado dela) e acha a sociedade muito hipócrita por julgá-la baseada nas suas roupas (ainda que ela esteja te dizendo tudo isso nua, no motel, depois de cornear o namorado contigo).

Ela tem a fama, mas faz de tudo para negar.

Já o come quieto é diferente. Tive um amigo assim. Diferente da galinha, que deseja realmente que você acredite que ela não é galinha, ele também nega que coma alguém, que tenha ido para uma festa de arromba, que pegou a namorada do irmão mais velho quando tinha apenas 16 anos e, claro, rechaça veementemente a história que conta que ele pegou a professora de português boazuda na oitava série.

Nega tudo jurando sobre a Bíblia, a Torá e o Alcorão empilhados, mas no final dá um piscadinha pra você.


E aí é que está a diferença: ele nega, mas quer que você pense o contrário. Ele gosta da fama, ele quer a fama, mas sabe que no exato momento em que resolver abraçá-la, os outros vão começar a se questionar: "pera aí, será que esse prego fez tudo isso mesmo?".

Se ele fica quieto, ou melhor, se chega ao ponto de negar, o que todos pensarão? "Ah, o safado quer esconder o jogo".

E o amigo que mencionei acima era exatamente assim. Ele agia da seguinte maneira: comprava dois ingressos para algum lançamento do cinema, escolhia uma garota da turma e chamava pra ir com ele, dizendo que ganhou numa promoção. Se a garota aceitasse, ele chegava pra alguém e dizia:

- Vou no cinema com a Fulaninha hoje...

Era fatal a curiosidade:

- Vai pegar?

- Nada, só vou ver filme, comer pipoca e voltar pra casa...

Claro que a pessoa que ouvia pensava "vão pro motel transar com algemas e chantilly a tarde inteira".

No dia seguinte ele voltava à carga:

- Foi maneiro o filme ontem...

- Ah, vai dizer que você viu mesmo o filme? Duvido, deve ter dado uns amassos nela...

- Eu não faço nada, eu sou um otário, eu não pego ninguém.

E parecia óbvio que se ele mesmo estava dizendo isso é porque alguma coisa tinha acontecido e assim a fama se alimentava eternamente.

E como ninguém ia lá perguntar pra guria o que tinha rolado, até porque não tinha o que perguntar já que o cara mesmo disse que não tinha feito nada, todo mundo pensava "esse aí é malandro, come quieto e ainda se faz de bobo".

Esse tipo de situação só tem uma forma de dar errado: ele chamar a galinha pro cinema.

Porque nesse caso, mesmo que ele conseguisse fazer alguma coisa, seria ela a dizer:

- Aquele lá? Não faz nada, não pega ninguém, por isso mesmo que eu fui no cinema com ele, porque gosto é de respeito...

A arte de falar sem dizer nada

Postado em 28 de set de 2011 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

Digamos que cada pessoa tem um Caetano Veloso vivendo dentro de si (ou não). Seja como for, é incrível a pressão que jogam em cima de nós para ter alguma opinião sobre quase qualquer assunto.

Tudo bem que muita gente adora ter opinião sobre tudo (o que nem é um problema), mas complica quando resolvem contar essa opinião para os outros (aí sim, geralmente vira um problema).

Defendo a censura? Não. Mas acho que se as opiniões de um cretino são mesmo tão preciosas pra ele, o sujeito deveria tratá-las como tesouros que são: trancando num cofre.

Só que, às vezes, aparece um amigo chorando as mágoas de uma dor de corno, uma aula ou reunião para a qual você não se preparou, alguém te contando um problema ou simplesmente quando querem um elogio.

Nessas horas você precisa dizer algo.

Por isso coisas como "É foda...", "Complicado...", "As pessoas são assim mesmo", "Não se pode confiar em ninguém", "Eu sei como você se sente", "Tem coisa pior do que isso", "Mulher (ou homem) é tudo igual", "O tempo cura tudo", "Nisso é melhor nem se meter", "Irado", "Super legal", "E não é que é mesmo?", entre outras, são uma forma inesgotável de falar sem dizer coisa alguma.

Seu amigo foi traído pela namorada? "As pessoas são assim mesmo, mulher é tudo igual".

Querem saber o que você acha sobre a Primavera Árabe? "Irado".

O noivo da sua amiga fugiu no dia do casamento com a tia dela? "Não se pode confiar em ninguém".

Pegaram seu chefe trancado com uma anã no depósito de limpeza? "Nisso é melhor nem se meter".

O Brasil perdeu o quarto pênalti seguido na semi-final da Copa América? "Tem coisa pior do que isso".

Alguém diz numa mesa de bar que só tem corno no Espírito Santo? "E não é que é mesmo?".

Sua amiga gorda te mostra uma foto de biquini no Beach Park? Você até queria dizer "é foda", mas solta mesmo um "Super legal".



Note que você opinou, elogiou, interagiu com seu interlocutor, demonstrou interesse e solidariedade pelo que ele te disse e no entanto não precisou dizer absolutamente nada relevante sobre o assunto.

A única situação em que isso não funciona muito bem é quando esperam um pouco mais do que simples opiniões e empatia vindas de você, como uma aula sobre Marx ou uma reunião sobre balanços semestrais.

Nesse caso também é simples, basta deixar que alguém diga alguma coisa primeiro e depois você repete tudo o que a pessoa falou rearrumando as palavras:

- Marx tinha uma concepção hegeliana da história.

E você:

- Inclusive, me permitam acrescentar, Hegel foi uma grande influência na concepção histórica marxista.

Ou então:

- Estes balanços semestrais mostram que nossa empresa pode reinvestir parte do lucro líquido em programas de capacitação.

Aí você complementa:

- Aliás, eu li na Forbes que programas de capacitação são boas opções para o investimento do lucro líquido.

No final das contas, todos vão te considerar um cara ponderado, conhecedor, estudioso e útil, porque se tem uma coisa que faz com que as pessoas te considerem um verdadeiro gênio, é você concordar com elas.

A mulher do vizinho também tem TPM

Postado em 26 de set de 2011 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Ainda que pareça o contrário, se o seu vizinho beber whisky falsificado também vai ter uma dor de cabeça dos infernos igual a você, se arrepender igual a você e prometer que nunca mais vai beber na vida, igual a você.

Adoramos admirar a vida dos outros, isso é um fato, mas também é um fato (dos grandes) que a mulher do vizinho também tem TPM, também fica com dor de cabeça e inclusive dorme de calça jeans de vez em quando.

O outro pode ter uma vida tão chata quanto a sua, tão mediana, monótona e cheia de preocupações, ainda que, visto daí de onde você está, pareça que até o ato de passar fio dental é mais interessante quando não é você que precisa fazer.

Bom mesmo é ser o vizinho, o cara da mesa do lado, o sujeito passando lá fora.

Sim, porque a menos que você tenha visto a pessoa passar por alguma merda muito grande, como, sei lá, enviar sem querer o arquivo "noivinhas_profundas.jpg" anexado num email que deveria conter uma planilha de Excel pro chefe, geralmente a vida dela parecerá mais fácil e interessante do que a sua.

O outro não deve procrastinar trabalhos (já que o trabalho dele é muito mais interessante do que o seu), não deve perder a hora de manhã (muito menos ter um despertador que ganhou de presente do chefe e que berra "acorda vagabundo" com a voz da Dercy Gonçalves), nunca pega um ônibus lotado (que nem você pega todo dia, ainda que saia de casa uma dia às 9:00, outro às 10:00 e já tenha tentado até sair ao meio-dia) e jamais precisa fazer dieta.

Se faz dieta, come uma salada muito mais apetitosa, um brócolis com gosto de picanha nobre e com certeza só bebe mate sem açúcar porque acha muito mais gostoso do que uma Coca-Cola geladinha.

Geralmente ele ganha mais (e se não ganhar mais, vai ser capaz de fazer muito mais coisas com o pouco que ganha do que você) e sempre, sempre é um outro que acerta na Mega Sena (o que ajuda a manter sua paranóia).

As contas dele são menores, o cartão de crédito nunca manda a fatura e o banco sempre esquece de cobrar juros. O Fusquinha que ele anda é melhor do que o seu carro (ainda que ele seja uns 20 anos e pareça uns 30 anos mais velho) e aquele cheese-bacon que ele manda pra dentro na Kombi da esquina não vem com gordura suficiente para lubrificar o motor do Fusca.

Os casamentos que ele vai são mais legais e até os engarrafamentos dele são divertidos, sem contar que você já cogitou entrar pra Amway e pra Herbalife que nem ele, afinal, visto daí aquelas reuniões parecem ser o maior barato.

E de repente até a idéia de rebaixar seu carro, colocar um daqueles sonzões de trio elétrico e sair por aí que nem o seu vizinho ouvindo funk nas alturas não parece tão ruim.

Não, não. Pensando bem esse aí aquele vizinho do outro lado, o que você acha tão escroto que preferiria reencarnar como uma poltrona do meio de avião do que ser que nem ele.

Mas não tenha dúvidas: por mais que sua vida pareça monótona e regular, alguém está de olho nela (menos, é claro, aqueles que preferem reencarnar como um microfone de karaokê, a ter que viver como você um dia).

É possível amar alguém mesmo que se despreze o que a pessoa pensa?

Postado em 23 de set de 2011 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

Antes que eu comece, não esqueça que até Hitler arrumou uma namorada, então por mais detestáveis que sejam as suas opiniões - achar que o funk carioca é um poema urbano, por exemplo - você também encontrará alguém que te ature.

Mas o problema é que, até que isso aconteça, vários dos seus relacionamentos serão mandados para o recall.

Sempre acreditei que nos unimos aos outros mais pelo que detestamos do que pelo que gostamos. Por exemplo, um sujeito que é mais propenso a ficar amigo de quem deteste rodinhas de violão do que de um fã dos Beatles como ele.

Isso porque o outro fã de Beatles pode pegar o violão para cantar "Hey Jude" num luau, mas quem detesta rodinhas de violão vai continuar detestando, logo, melhor ser amigo deste.

Só que nem sempre isso é tão definido. E assim como é impossível encontrar alguém que goste de tudo o que você goste, também será impossível achar quem deteste tudo o que você detesta.

Sendo assim, relacionamentos são a arte do possível.

- Hum, o que eu detesto mais? Rodinha de violão tocando Stairway to Heaven ou tocando música gospel numa estação de trem? Já sei! Vou namorar a Milena!

Mas ainda assim a coisa não é tão simples. Relacionamentos são sempre no esquema tentativa e erro mesmo e todo mundo mente e age como aquelas fotos de cheeseburgers no Mc Donald's, que parecem muito melhores do que o sanduíche é em si.


Você pode, por exemplo, conseguir ficar com a única menina da micareta que resolveu que vai casar virgem. Imagina só que azar.

No filme "Alfie, o Sedutor", o protagonista conhece uma loira, rica, linda. Resolve ficar com ela, larga a esbórnia e se tranca com a moça dias e dias no quarto (no filme eles não dizem nada a respeito, mas creio que eles saíam pelo menos para comer e escovar os dentes).

Ele está totalmente apaixonado, até que num dado momento em que vão fazer um brinde, ela quebra seu copo batendo com força no dele, e solta uma gargalhada que só posso definir como escrota.

Ali, naquele momento, o encanto termina.

O personagem do filme não curtiu a gargalhada (confesso que também tenho problemas com gargalhadas, gente que ri emitindo sons de porco não serve pra ir pra cama comigo, por exemplo), mas pode ser uma frase, uma idéia, uma teoria, qualquer coisa que mostre a pessoa além do que ela quer parecer para você.

A pessoa pode ser racista, vegetariana, fã de sertanejo universitário, eleitor do Tiririca, preferir Pepsi ao invés de Coca, não gostar de chocolate, confessar uma tara por mães de namoradas, contar que está juntando dinheiro pra uma cirurgia de mudança de sexo, enfim, não faltam incompatibilidades incontornáveis por aí.

É aquela coisa do limite, sabe? "Opa!! Pera aí! Isso também não!".

O casal acaba de transar e o cara resolve "se abrir" com ela:

- Sabe o que é? Sou nazista. Morro de tesão naquele bigodinho, por isso aliás é que me encantei com você quando te vi pelada...

Tudo bem, sei que esse exemplo foi exagerado, mas o que poderia ser pior do que um cara que sente tesão pelo bigodinho do Hitler? Talvez só mesmo alguém que realmente ache que funk carioca é um poema urbano.

Porque o revival de uma década geralmente dura mais do que a década em si?

Postado em 21 de set de 2011 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Já teve horas em que eu pensei que o revival dos anos 1980 fosse durar até mais ou menos 2980.  E o pior é que pra quem não viveu aquela época, fica a impressão que só curtíamos Bozo, pirocóptero, ursinho blau-blau e "Como uma Deusa" da Rosana.

Eu sei que geralmente uma moda só fica escrota depois que passa e por isso mesmo é bom que passe. Já se imaginou usando pochete e ombreiras até hoje?

Mas o que ninguém percebe é que a maioria das modas já era escrota mesmo no auge, e esses revivals funcionam como se daqui a 20 anos as pessoas fossem relembrar os tempos de hoje falando do Luan Santana e cantando "vou não, quero não, posso não, minha mulher não deixa não...".


Pior mesmo são as reedições. Woodstock II, Rock in Rio IV com Cláudia Leitte, revival da velha Bunker (boate ícone da noite alternativa carioca, que ficava num espaço fechado que lembrava realmente um bunker) num clube com vista pro mar e passeios de barco.
Já não basta a passagem dos anos que vai nos tirando juventude e os nossos lugares queridos (tipo a Dr. Smith, outro ícone da noite carioca, que acabou e deu lugar a uma lavanderia), ainda precisa aparecer uns abutres para devorar a carniça das lembranças alheias.

É como ler num anúncio: "Revival do Studio 54 no Castelão do Funk: Mr Catra, Tati Quebra-Barraco e Antônio Manero fazendo os passos de John Travolta ao som do proibidão. Reviva o clima da famosa boate de Nova York!". Francamente.

Não demora muito e aparece algum moleque dessa geração punheta-ice-Restart querendo ensinar o que é o verdadeiro sexo-drogas-rock'n'roll pro Keith Richards.

Milk Shake de amigos

Postado em 19 de set de 2011 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Pouca coisa é tão constrangedora quanto misturar amigos.

Sei que ficou confusa a frase acima, mas você já vai me entender. Cada um de nós é um indivíduo único, mas ainda assim nos dividimos no que somos para nossa família, nossos amigos, nossos colegas de trabalho, a turma da rua, o pessoal do futebol, a namorada, os filhos.

Cada um nos vê de forma diferente e terminamos agindo mesmo diferente junto de cada um deles.

Essa estranha (e na maioria das vezes despercebida) esquizofrenia social - o sujeito que é bom moço em casa, coroinha na igreja e no final de semana vira party animal - é potencial usina de constrangimentos, que geralmente acontecem quando estes grupos se misturam.

Mais ou menos como se algum amigo que treina boxe contigo te pegasse depilando o peito ou a turma do seu fã-clube do Bolsonaro te ver numa aula de dança de salão.

Misturar amigos de épocas diferentes da nossa vida também gera esse tipo de situação.

Você rersolve sair com a turma da sua pós-graduação em psicologia e encontra o pessoal da rua que você morou há uns 15 anos atrás. Pro pessoal da pós você é aquele sujeito que senta na primeira fila, leva um iPad pra acompanhar a aula e namora uma socióloga que fala francês.

Mas pra turma da sua rua você é apenas o "Barraca", que vomitou na mesa do bolo de uma festa de debutantes e tinha a estranha mania de cuspir no seu copo de Coca-Cola só pra não ter que dar um gole pra ninguém.


Nota que rola um verdadeiro choque de "Eus"? E sempre algum cretino está ali para fazer com que seus dois "Eus" se choquem.

- Deixa eu apresentar aqui pra vocês o pessoal que morou comigo lá em Jacarepaguá: esse é o Paulinho, esse é o Marco Antônio, esse aqui é o Luciano. Esse é o pessoal que faz pós comigo.

- Porra, Barraca, nunca pensei que você conseguisse passar do 2º grau...

- Mas então, bom ver vocês, agora dá licença...

E assim como sempre tem um cretino para fazer seus "Eus" se chocarem, também sempre tem um do outro lado que fica curioso:

- Que negócio é esse de Barraca?

- Ah, ele não contou pra vocês isso não? É que a gente tinha uma professora de matemática muito boa e ele sempre ficava de pau duro na aula...sabe como é? Barraca armada?

Gargalhada geral, menos sua, é claro.

A meia hora seguinte é toda gasta com histórias sobre como você perdeu a virgindade com a empregada vesga do seu vizinho, sobre a vez em que você quase se afogou no mar e foi resgatado de helicóptero numa daquelas gigantescas puçás e sobre como ficou de recuperação em matemática, passando as férias inteiras na companhia da professora gostosa, que terminou te reprovando (daí a surpresa por você ter conseguido chegar na pós-graduação).

No final a experiência te lembra porque você resolveu estudar psicologia, já que, aos olhos dos outros, você lembra bastante um caso clínico.

As oportunidades perdidas riem da nossa cara depois

Postado em 16 de set de 2011 / Por Marcus Vinicius 10 Comentários

Parece que o ser humano foi feito para jamais perder uma boa oportunidade de perder uma boa oportunidade.

A maior delas geralmente é a de ficar calado, mas não é a única.

Digo isso porque quase todo mundo já achou um dia que seria valorizado quando num ataque de honestidade neuro-incapacitante, resolveu confessar para o professor que copiou um trabalho na internet ou para a namorada que deu uns beijos na prima dela naquele final de festa, e no final acabou lembrando porque o ditado diz que em "boca fechada não entra mosca" e não "boca fechada não ganha um beijo de língua da Scarlett Johanson".

E oportunidades perdidas nos perseguem para o resto da vida. Você consegue esquecer o seu aniversário de casamento (supondo, é claro, que você não tenha se arrependido de não ter entrado num avião para a China ao invés de entrar na Igreja naquele dia), mas não esquece aquela garota que te deu mole na 6ª Série e você preferiu ir jogar War com seus amigos ao invés de tentar perder a virgindade aos 12 (e não aos 19 como foi de fato).

E por falar em 6ª Série, lembro que o The Cure veio dar um show no Rio de Janeiro quando eu estava na escola e eu acabei brigando com um amigo (fizemos as pazes depois, mas nunca mais a amizade foi igual) porque ele me pediu para comprar ingressos pra irmos juntos e, em cima da hora, desistiu do show para jogar uma pelada.


No lugar dele, jamais esqueceria o show que não fui (e acabou sendo histórico) por causa de uma bosta de um jogo de futebol na quadra da escola.

Suponho isso porque vivi coisa pior por causa uma bolsa de estudos que ganhei para passar três meses na Inglaterra quando tinha 16 anos.

Imagine só, terra dos Smiths, da realeza, dos Beatles, do Fish&Chips e até dos deliciosos pudins de rim, mas tinha um problema: era nos meses de Janeiro, Fevereiro e Março e eu não queria "perder" o verão.

Resultado: não fui.

Coisas assim me fazem pensar que certas decisões da nossa vida deveriam ser tomadas por uma comissão. Sério, você reuniria umas 4 ou 5 pessoas que fariam um debate e depois tentariam te convencer do que é melhor naquele momento.

Caso a conversa não funcionasse, estariam liberados para te dar uma surra com cabos de vassoura.

Porque no final das contas, hoje nem consigo lembrar o que fiz naquele verão, e só posso imaginar tudo o que teria feito caso tivesse embarcado no avião da British Airways.

E essa oportunidade perdida volta e meia aparece pra rir na minha cara (e quando descobre que eu passei a detestar verão, calor, Carnaval, etc), ela não só ri, como gargalha. E com razão.

Umas vassouradas não seriam tão ruins assim.

Porque estamos virando turistas japoneses

Postado em 14 de set de 2011 / Por Marcus Vinicius 11 Comentários

De repente todo mundo parece um turista japonês.

Sei que até eu tenho culpa no cartório nessa, já que faço igual muitas vezes, mas a grande responsável mesmo é a indústria fotográfica e suas câmeras digitais.

Se antes nós precisávamos espremer nossas fotos em, no máximo, 36 poses dos filmes, agora contamos com vários gigabiytes para usar e desperdiçar eternizando abraços, viagens, a namorada pelada, filhotes de cachorro, pudins, cheeseburgers, insetos na parede, o vizinho barrigudo saindo do banho, etc.

Nossa sociedade sofre de obsessão pelo registro (ou "Síndrome do Turista Japonês"). Eu sofro de obsessão pelo registro. Sentamos num restaurante e quando chega aquele brownie delicioso de sobremesa, comemos vorazmente, certo?

Mais ou menos. Primeiro sacamos o celular e tiramos uma foto, depois, aí sim, é que fazemos o remake de "Shark Attack".

Se estamos diante de um monumento qualquer, seja em Paris ou em Duque de Caxias (deve ter algum por lá), primeiro tiramos uma foto na frente do monumento, depois ao lado do munumento e terminamos correndo dos guardas quando tentávemos tirar uma foto na garupa da estátua eqüestre do monumento.

Sem contar os duzentos e setenta e nove closes e tomadas diferentes. Viramos aquele anão da Amélie Poulain.


Acho que isso é fruto da efemeridade dos nossos tempos. Se antes aquela estátua do General Brancaleone era colocada no centro de uma praça e permanecia ali por séculos, hoje algum prefeito pode criar alguma comissão de artistas que após uma dezena de reuniões vão concluir que a estátua é "esteticamente feia" e precisa ser retirada.

E assim como a paisagem urbana, tudo que nos cerca é efêmero. Você tira foto de um BIS sabor limão porque não sabe até quando a Lacta vai continuar produzindo-o. Tira foto junto com seus amigos no churrasco, na praia, no rodízio de pizza, na delegacia registrando ocorrência, vomitando na micareta, porque sabe-se lá quanto tempo aquela amizade vai durar.

Antes nossa infância era toda coberta com 100, 200 fotos. Hoje quem quiser relembrar os tempos de criança achará um acervo com algo em torno de 500 gigabytes e 100 mil fotos. Vai precisar contratar um CSI pra fazer o trabalho.

Não basta mais "estar ali", é preciso registrar cada pequeno detalhe para mostrar depois.

Aí, vendo esses álbuns que as pessoas colocam na internet, concluo que muitas delas só conheceram realmente a Torre Eiffel ou o Empire State Building semanas depois, quando chegaram em casa e foram revirar as fotos que tiraram no local.

É mais ou menos como conhecer os lugares através de cartões postais, só que pagando um pouco mais caro por isso.

Vai que é sua, Saci!

Postado em 12 de set de 2011 / Por Marcus Vinicius 10 Comentários

Se tem uma lei que pegou no Brasil, esta é a lei das carapuças. Todo mundo age como se estivesse tentando roubar uma bala juquinha nas Lojas Americanas e de repente ouvisse uma sirene de polícia.

"É comigo? É comigo?".

Parece incrível, mas ainda que neguem, a maioria das pessoas sofre de complexo de perseguição. Todos disfarçam se dizendo tímidos, dizendo que não gostam de ninguém se metendo nas suas vidas, que não ligam pra opinião dos outros e até mandando um "Coé? O que tá olhando?" se alguém encara demais na rua.

Tudo fruto da incrível capacidade que o ser humano tem de pensar que o mundo gira ao redor do seu próprio umbigo. O sujeito que sempre acha que estão olhando pra ele, falando dele, jogando indiretas para ele, na realidade é um puta de um egocêntrico.

E sim, muitas vezes estão olhando mesmo para nós, jogando indiretas para nós e até falando mal de nós pelas costas, mas acredite: é pela mais pura e simples falta de opção. Geralmente quando falta assunto é que você começa a falar mal dos outros. Observe em qualquer mesa de bar.


O Flamengo e o Corinthians já foram discutidos à exaustão, a política nacional idem, física quântica, dialética e até novelas de TV já foram devidamente esgotados, não sobra mais nada. Aí algum dos presentes - provavelmente estimulado pelo álcool - dá a deixa:

- A Claudinha saiu com o Pedrão e disse que de "ão" ele só tem o apelido mesmo, porque quando chegaram no motel o negócio lá era uma mistura de Batom da Garoto com Lingua de Gato da Kopenhagen...

Pronto. O Pedrão virou o assunto, mas note que numa escala de interesses, ele ficou atrás do futebol, dos deputados do Congresso, de teorizações sobre o eu interior e até da novela das 6.

Perceba como se você estiver falando algo baixo com alguém, cochichando mesmo, e chegar uma terceira pessoa de repente, ela vai logo perguntar "estão falando de mim, né?".

Como se responde isso? "Sim, estamos falando que você é um babaca" ou "Não, estamos falando de um assunto mais interessante: a discografia do Oswaldo Montenegro"? Qual das duas opções ofenderia menos?

Na internet acontece a mesma coisa. Qualquer comentário feito nessas redes sociais é respondido por meia dúzia de pessoas que têm certeza absoluta de que aquilo ali foi dirigido a ela.

Se você diz que detesta aquele "pi-pi" do Nextel, surgem hordas de cretinos dizendo que você "não paga as contas deles e que eles usam Nextel o quanto quiserem". Se você diz que curte mulher inteligente, logo aparecem comentários como "Pô, sô muito intelijente, Nem, vem logo ni min que eu sei que cê tá afin".

E se for alguém da turma do Pedrão, bem, vai ficar perigoso dizer que tá afim de um chocolate.

Como ser VIP sem ser VIP

Postado em 9 de set de 2011 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Todo mundo sabe que vivemos numa sociedade que se baseia na aparência, mas calma, não precisa parar de ler agora já imaginando que esse será mais uma defesa xarope sobre a necessidade de "valorizarmos o eu interior". Esqueça, eu posso ser cretino mas não tanto.

O fato é que nos importamos com aparência sim e a única coisa que muda são os parâmetros e os conceitos sobre uma "boa aparência". Se antes a sociedade prezava fartos bigodes e seios, hoje nos matamos nas academias como hamsters naquelas esteiras para ostentarmos a maior magreza ou o maior bíceps possível.

Imagino um dia, no futuro, os nossos tataranetos intrigados sobre como podíamos apreciar mulheres com as costas de um estivador ou homens que se depilam. Mas tudo bem, até lá eles provavelmente sentirão tesão por antenas ou coisa parecida.

E como gostamos muito mais do que algo se parece do que aquilo que é na realidade, é fácil usar esse tipo de coisa a nosso favor.

A avó de uma amiga minha tinha a maior pinta de importante. Sério, você batia o olho na velha e pensava que era uma prima da rainha Elizabeth ou pelo menos uma baronesa. Só que como não temos nobreza no Brasil, ela - esperta como boa brasileira - colocou um adesivo do Tribunal de Justiça no carro e quando passava numa blitz dizia pra quem estivesse na direção avisar que "a juíza estava com pressa".

Nunca foi parada em uma blitz sequer. Por via das dúvidas os PMs deixavam a "juíza" passar.

Faça um teste se quiser (não dizendo que é juíza, é claro) mas, por exemplo, chegar bem vestido num lugar "fechado para convidados" e entrar sem perguntar nada a ninguém. É grande a chance de não te pararem para dizer nada, afinal, só quem é muito importante chega sem precisar ser anunciado.


A maior prova disso acontece no ambiente de trabalho. Será que o CEO da Coca-Cola ou o COO ou CFDPPQP (sei lá quantas siglas dessas existem) de uma grande multinacional precisa usar crachá? Ora, só quem precisa ser identificado é você, que é um Zé Ninguém. Essa gente chega perto e as portas se abrem sem nem precisar dizer "abre-te sésamo".

É capaz de você ainda terminar dando entrevista no Programa do Amaury.

Fotógrafos também entram em quase tudo que é lugar. Basta um colete e uma máquina com aparência de profissional que ninguém vai saber se você é do New York Times, do Globo ou só um maluco de câmera e colete. Você corre sério risco de te colocarem pra dentro, a menos que seja um casamento de celebridades, aí você talvez leve uma surra dos seguranças especializados em amaciar carne de paparazzi.

Outra coisa que funciona é dizer que "está com a banda". Você chega numa boate ou casa de shows, vai pra entrada dos fundos, faz cara de tédio e pressa e diz:

- Oi, eu estou com a banda.

Só tome cuidado de antes ver qual a programação do dia, pra não ouvir algo como:

- Você tem certeza de que faz parte do coral de freiras?

Porque a vingança pode ser um sorvete de menta

Postado em 7 de set de 2011 / Por Marcus Vinicius 10 Comentários

Meu sorvete preferido é menta com flocos. Você há de perguntar: e daí? Eu te respondo: não imaginei maneira melhor de começar esse texto.

Como detesto ditados populares (mesmo, me sinto mal quando preciso repeti-los no meio de uma conversa), já que apesar de significativos, fazem o que se tem a dizer parecer mais "vazio", por isso preferi dizer meu sabor preferido de sorvete do que falar que "a vingança é um prato que se come frio".

Mas apesar de não gostar muito desses ditados, confesso que "a vingança é um prato que se come frio" é um excelente ditado. Se juntarmos com o "apressado come cru" fica melhor ainda, um verdadeiro dois em um da sabedoria popular, queijo com goiabada, auto-explicativo.

E mesmo que eu ache que dependendo da situação a vingança não é prato frio nem quente, mas um prato quebrado na testa do cretino, é fato que um troco bem planejado, com ares de jogo de xadrez, é bem interessante e ainda por cima te faz parecer mais inteligente.

No fundo é como qualquer vingança, ou seja, ressentimento transformado em ação, mas que soa mais classudo, isso soa.

E um bom exemplo é o da ricaça argentina Corina Kavanagh. Ela era jovem, rica, bonita e susceptível ao amor como todo jovem (não necessariamente bonito). Quis casar com outro jovem, rico, bonito, susceptível ao amor, porém membro de uma família tradicional e aristocrática (aquela coisa de berço e tal), a Família Anchorena.


Os Anchorena foram contra o casamento, pois achavam a Srta Corina meio nova rica, emergente, meio Barra da Tijuca, sabe como é? Os pombinhos então não se mataram como Romeu e Julieta e nem largaram tudo para fugir juntos como Edward VIII e Wallis Simpson. Simplesmente não casaram e pronto.

Só que a Corina não levou isso muito na boa.

Ela recebeu uma herança, comprou um terreno em frente à casa da família do ex-amor e mandou erguer ali o Edifício Cavanagh, um lindo arranha-céu em art-déco com 120 metros de altura, 12 elevadores e uma única exigência: que os arquitetos o construíssem de forma a obstruir totalmente a visão que o palacete dos Anchorena tinha de uma igreja erguida pela família do outro lado da rua.

Dito e feito. Os metidos a besta perderam a vista e o Edifício Kavanagh hoje é considerado um monumento histórico nacional da República Argentina. Uma vingança que virou um belo edifício.

Pelo tempo que devia levar para planejar e construir um prédio desse tamanho na década de 30, suponho que essa vingança foi um prato frio, mas tão saboroso pra ela quanto um sorvete de menta é pra mim (talvez um pouco mais caro).

Moral da história: se um dia te sacanearem fique milionário, compre um terreno, erga um prédio e ferre com a vista da casa do cretino.

Se esse plano for meio complicado, bem, quebre um prato na cabeça dele e vá relaxar tomando um sorvete, do sabor que você preferir, é claro.

E não reclame do meu final, foi a forma que eu achei de usar "prato", "frio", dizer que a vingança é doce e dar um fim nessa história.

A estatização do Canecão foi um show...de incompetência.

Postado em 5 de set de 2011 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários

No Brasil falar em privatização pega mais mal do que dizer que o Maradona foi melhor do que o Pelé.

Aos olhos de muita gente, privatizações nada mais são do que tubarões do poder econômico se utilizando de governantes "entreguistas" para se apoderar daquilo que era do estado, logo, "do povo".

Esquecem que no país da economia estatal, hoje não teríamos mais telefones celulares do que habitantes. E isso é apenas um exemplo de como o tripé iniciativa privada-concorrência-fiscalização pode fazer bem a qualquer atividade.

Mas pra quem ainda duvida disso, conheço um belo exemplo prático acontecendo no Rio de Janeiro, que é a história do Canecão, uma das mais antigas casas de espetáculos da cidade.

Depois de 40 anos de "luta", a Universidade Federal do Rio de Janeiro conseguiu recuperar o terreno em que foi erguido o Canecão. O reitor comemorou a "retomada do espaço", os alunos comemoraram, a guerra finalmente foi vencida e todos puderam dizer "o Canecão é nosso!".

Uma notícia publicada no site G1 no dia 10/05/2010 contava tudo em detalhes. Os defensores do patrimônio público tinham vencido mais uma contra os entreguistas.


Só que no dia 20/12/2010, ou seja, pouco mais de sete meses após a reconquista do território, uma reportagem do jornal O Globo mostrava que o Canecão estava "abandonado e sem previsão de reabertura".

Procurado pelo jornal, o diretor de gestão patrimonial da UFRJ declarou que "este assunto passa por várias instâncias da universidade até que se decida o que vai ser feito com a casa. Diversos setores serão consultados para se chegar a um consenso, que será submetido aos órgãos colegiados da universidade".

Ou seja, tudo o que o poder público sabe fazer de melhor: abandonar imóveis, deixar um patrimônio subutilizado e formar comissões para estudar o assunto. De efetivo, nada.

No meio de 2011, ou seja, mais de um ano depois, o Canecão continuava lá: esperando os "consensos" dos "colegiados". Show mesmo só dos ratos passeando pelos entulhos.

Assim, onde antes existia um estabelecimento que promovia a cultura e a economia da cidade, hoje existe um galpão abandonado no meio de um terreno baldio, mas pelo menos o terreno agora "pertence ao estado".

O Canecão assim foi tomado das mãos dos "porcos capitalistas" para ser transformado nisso nisso aí: mais um exemplo do porque o poder público não existe para controlar telefonia, TV a cabo, lanchonetes, aeroportos, carrocinhas de pipoca e nem casas de show.

As ratazanas que hoje moram no que foi o velho Canecão também devem detestar privatizações.

Caixa de Manzanas

Postado em 2 de set de 2011 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Nunca entendeu direito a fixação dos filmes antigos pela chegada de carteiros.
Talvez porque já tivesse nascido no tempo do telefone (agora então com a internet isso ficava ainda mais estranho), talvez porque o carteiro só chegasse trazendo as contas do mês, mas pela primeira vez tudo parecia fazer sentido.

Nada de parente que foi morar no Japão, postal que vai chegar da India, um amigo que foi lutar contra ou a favor de algum ditador no fim do mundo, uma resposta sobre algum emprego ou o caminhão do Baú da Felicidade, nada disso.

Por alguma estranha razão, se via agora como um personagem de filme dos anos 50, um desses americanos esperando a carta de Harvard ou um moleque acordado pra ver a passagem do Papai Noel.

A sua espera, aliás, também tinha algo a ver com uma lenda. Era como se esperasse pelo Bom Velhinho e só aparecesse a Simone cantando "então é Natal...".

Seus vizinhos já tinha visto (e vivido) a tal lenda, alguns amigos também. Já lera sobre isso na internet e até viu alguns vídeos no You Tube, mas pessoalmente nunca vivera tal situação.

Dizem que algumas pessoas passam a vida inteira esperando por isso e ainda assim não conseguem chegar lá. Era uma espécie de nirvana e tudo dependia da porra do carro do Sedex. Podia chegar hoje, podia chegar amanhã, mas quem aguenta essa espera? Nem quando aguardava o resultado de um hemograma completo lembra de tanto nervosismo.


Por alguns momentos achou que tudo não passava de ilusão. Que as fotos de rostos felizes, tal qual alguém que encontrou sua alma gêmea, não passavam de algo tão falso e ilusonista quanto uma propaganda das facas Ginzo ou das meias Vivarina.

Mas finalmente o carteiro passou, depois de longa e dolorosa espera. Tantas noites sem dormir querendo uma notícia, tanta angústia e ansiedade sem uma palavra de consolo sequer.

Mas agora o sofrimento finalmente acabara. Viu seu nome escrito e nesse momento soube que sim, era real. Não era de conto de fadas, não era uma simples ilusão de felicidade, uma promessa vazia, um pote de outro atrás do arco-íris.


Segurou com força aquele embrulho e depois o abriu correndo, rasgando apressadamente seu próprio nome escrito no papel, o coração palpitando, a respiração acelerada.

Mas a espera compensou. Não seria mais uma dessas pessoas que passam a vida suspirando, imaginando como seria se tudo fosse diferente. Se esforçara, dera o melhor de si, acreditara em seu potencial e agora a recompensa estava ali, bem diante dos seus olhos.


E mal podia acreditar ao ler palavras tão emocionantes, palavras que nem todo mundo consegue ler em uma vida inteira, talvez as mais lindas que jamais lera na sua existência:

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