Pode chegar seu pinheirinho pro lado?

Postado em 22/12/2011 / Por Marcus Vinicius

Todo ano quando Dezembro vai se aproximando, assistimos no Brasil a três fenômenos da natureza: a chegada do calor, a saída dos zumbis consumistas dos seus casulos e o aparecimento de uma decoração de Natal repleta de pinheiros, renas e neve artificial, totalmente em desacordo com aquela temperatura digna de uma cloaca que se vê nas ruas.

É por essas e outras que eu adoraria viajar em meados de Novembro e só voltar depois que as águas de março lavassem o cheiro da urina que se espalha pelas ruas no Carnaval.

Mas o problema é que eu poderia viajar à vontade, mas fotografar essas viagens (pelo menos em Dezembro) já seria uma outra história. Digo isso porque finalmente descobri a maior utilidade das decorações de Natal: estragar suas fotos.

Não pense que é mau-humor gratuito, ranzinzice, nada disso (ainda que eu ache ridículo esses homens vestidos de Papai Noel num calor de 40º), mas um fato incontestável e digo mais: a menos que viaje para a Lapônia, o merecia ser ressarcido quando sai de casa nessas épocas.

Raciocine comigo: você paga mais de mil dólares numa passagem para Paris, passa meses sonhando com isso, chega lá e encontra um Papai Noel pendurado na Torre Eiffel ou um pinheiro falso no alto da Casa Rosada.


Tudo bem que tem um monte de cretino que adora tirar foto de decoração de Natal, mas que estraga, estraga ou você acha que um gondoleiro de Veneza vestido de beduíno de presépio não é esquisito?

Certa vez estava visitando um castelo antiquíssimo e ao invés de tirar fotos das armaduras, das camas de reis e princesas, das muralhas, dos catiçais, etc, tinha gente tirando foto de um pinheiro decorado com embrulhos de presentes falsos, iguais a estes de qualquer shopping em Madureira.
É um tal de "chega pro lado que eu vou abaixar aqui pra tentar esconder aquelas guirlandas penduradas na Torre de Belém".

Decorações de Natal operam verdadeiros milagres: a Avenida Paulista fica parecendo a Disney. A Disney fica parecendo algum supermercado na periferia de Belo Horizonte.
Certos lugares até combinam, como Nova York (sei de gente que gosta de ir lá só pra ver a decoração de Natal), mas sinceramente eu não imagino aquelas árvores radioativas cheias de luzes num filme do Woody Allen, no máximo do King Kong.

E isso acaba te deixando numa situação complicada: quando chega Dezembro, se ficar no Brasil o calor te derrete, se fugir a rena do nariz vermelho te pega.

2 Comentários:

Anônimo postou 22 de dezembro de 2011 08:49

Adoro luzes de natal, mas pensando por esse ângulo, concordo plenamente...Rs

(Ricchezza)

Gustavo Ca postou 24 de dezembro de 2011 05:25

O natal está uma patetice inacreditável.

 
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