"Tiramos o site da França do ar!"
"Vamos fazer uma petição online contra os alemães!".
Imagina que palhaçada seria a 2ª Guerra Mundial se fosse hoje em dia.
Sério, fiquei pensando nisso um tempão. Imaginei velhas fábulas tomando direções totalmente opostas, como o Romeu se matando porque não recebeu o SMS da Julieta a tempo (ela estava sem crédito no celular) ou então os Correios não entregando o sapatinho de cristal comprado no Mercado Livre, porque no lugar veio uma caixa com um tijolo dentro.
Só que como essas histórias são de ficção, não teria nada demais que fossem adaptadas aos dias de hoje, mas e aquelas de verdade, como no exemplo da 2ª Guerra?
Na revolução francesa tentariam fazer uma postagem no Facebook: quem apóia a monarquia "curte", quem prefere a república "compartilha" e no final, adivinha? Não ia dar em nada.
Já os pais fundadores dos Estados Unidos ficariam envolvidos numa questão mais grave, afinal, a enquete online terminaria empatada: um terço preferiria que o novo país se chamasse "Estados Unidos da América", outro terço preferiria "União dos Estados da América" e o último acharia melhor "Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos da América".
Depois de muita discussão eles provavelmente decidiriam que era melhor esquecer daquela briga com os ingleses, e todo mundo ia se juntar num encontro no Starbucks.
Noé, aquele da Bíblia, ao saber do dilúvio não ia correr para construir uma arca . Ao invés disso abriria uma ONG, um site, um blog e passaria as tardes pedindo doações e enviando fotos de filhotes de cachorro por email, em arquivos de Power Point com músicas do Kenny G. Depois que a chuva passasse e as águas baixassem, não teriam sobrado nem as baratas na face da terra (o que, no caso das baratas, de certa forma nem seria tão ruim).
Santos Dummont e os Irmãos Wright travariam uma batalha feroz para decidir quem afinal inventou o avião, quem conseguisse seguidores mais rápido no Twitter levaria a batalha. No final o inventor do avião seria conhecido para sempre como Charlie Sheen, que foi expulso de um seriado de comédia, conseguiu 1 milhão de seguidores em um dia (isso são fatos reais) e...inventou o avião.
Os alemães criariam um evento no Facebook: a festa da reunificação. 200 mil pessoas confirmariam presença, 20 apareceriam e o muro estaria lá até hoje, mesmo porque, a turma do lado Oriental não possuiria internet e nem saberia do evento.
E o Brasil? Provavelmente ainda seríamos Reino Unido de Portugal e Algarve (ou qualquer coisa parecida), já que Dom Pedro até pensaria em dar o famoso "Grito do Ipiranga" mas no fim iria parar mesmo num grito de carnaval, que além de ter whisky com energético liberado a noite toda, ainda era parte de uma promoção desses sites de compra coletiva.
Tudo por R$19,99. Bem melhor do que esse negócio de ser independente, afinal de contas, o príncipe só tinha 23 anos e hoje em dia antes dos 40 ninguém precisa mesmo sair da casa dos pais.
Só prestam atenção em você quando você queria ser esquecido
Postado em 24/01/2012 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário
Já percebeu como todo mundo resolve prestar atenção em você justamente no momento em que tudo o que você mais queria é que te esquecessem, ou seja, quando faz alguma merda? E não venha dar uma de certinho, porque com certeza alguma você já aprontou.
Furar aquela fila do supermercado entrando no caixa rápido com 50 volumes dizendo como desculpa que "são 20 rolos de papel higiênico, logo só conta como um ítem". Fingir que não viu um vizinho e deixar o elevador ir embora só pra não ter que aturá-lo tentando te vender um kit Herbalife pela décima-nona vez.
Assistir filme pornô no trabalho, falar com voz de criança quando está apaixonado, criar apelidos para o órgão sexual do parceiro. Mentir sobre o seu trabalho, dizendo que é o "gerente para prospecção e relacionamento com mercados digitais" quando na verdade é pago por hora para enviar emails de SPAM para uma mailing list que foi comprada a 5,99 no Mercado Livre.
Pedir o carro do seu primo emprestado para sair com aquela gatinha e ainda dizer que "está meio enjoado desse Honda Civic e não vê a hora do seu Zonda Cinque ser liberado pela alfândega", mesmo que seu meio de transporte regular seja mesmo uma Motorella, uma velha bicicleta Monark adaptada com motor de Mobilete.
Comer uma caixa de Bis assistindo CSI enquanto disse pra sua namorada que ia pra academia para finalmente se livrar dessa pochete que carrega na cintura, aproveitar enquanto seu namorado foi pro banho e revirar a caixa de mensagens e o histórico de ligações do celular dele.
Aproveitar aquele sinal vermelho para realizar uma faxina nas cavidades nasais, olhar a bunda da mulher do vizinho, aquela loira que passa a tarde na academia e fez implante de silicone com o mesmo médico da Pamela Anderson. Fingir que está falando no celular para não ter que aturar vendedor chato, amigo chato ou qualquer outro chato e de repente o telefone tocar, arruinando completamente sua ligação imaginária.
Ainda que você tenha lido tudo isso e pensado: ah, eu não faço isso, não. Posso garantir: ah, você faz sim. Se não alguma dessas coisas, outras que eu não estão aí e você sabe muito bem quais são, sabe mas não vai admitir, porque afinal de contas conseguiu esconder se safar até agora.
E no final das contas, a gente dificilmente se envergonha de fazer alguma coisa, o que a gente se envergonha mesmo é de fazer e os outros descobrirem. Você se arrepende é de ter sido pego.
Furar aquela fila do supermercado entrando no caixa rápido com 50 volumes dizendo como desculpa que "são 20 rolos de papel higiênico, logo só conta como um ítem". Fingir que não viu um vizinho e deixar o elevador ir embora só pra não ter que aturá-lo tentando te vender um kit Herbalife pela décima-nona vez.
Assistir filme pornô no trabalho, falar com voz de criança quando está apaixonado, criar apelidos para o órgão sexual do parceiro. Mentir sobre o seu trabalho, dizendo que é o "gerente para prospecção e relacionamento com mercados digitais" quando na verdade é pago por hora para enviar emails de SPAM para uma mailing list que foi comprada a 5,99 no Mercado Livre.
Pedir o carro do seu primo emprestado para sair com aquela gatinha e ainda dizer que "está meio enjoado desse Honda Civic e não vê a hora do seu Zonda Cinque ser liberado pela alfândega", mesmo que seu meio de transporte regular seja mesmo uma Motorella, uma velha bicicleta Monark adaptada com motor de Mobilete.
Comer uma caixa de Bis assistindo CSI enquanto disse pra sua namorada que ia pra academia para finalmente se livrar dessa pochete que carrega na cintura, aproveitar enquanto seu namorado foi pro banho e revirar a caixa de mensagens e o histórico de ligações do celular dele.
Aproveitar aquele sinal vermelho para realizar uma faxina nas cavidades nasais, olhar a bunda da mulher do vizinho, aquela loira que passa a tarde na academia e fez implante de silicone com o mesmo médico da Pamela Anderson. Fingir que está falando no celular para não ter que aturar vendedor chato, amigo chato ou qualquer outro chato e de repente o telefone tocar, arruinando completamente sua ligação imaginária.
Ainda que você tenha lido tudo isso e pensado: ah, eu não faço isso, não. Posso garantir: ah, você faz sim. Se não alguma dessas coisas, outras que eu não estão aí e você sabe muito bem quais são, sabe mas não vai admitir, porque afinal de contas conseguiu esconder se safar até agora.
E no final das contas, a gente dificilmente se envergonha de fazer alguma coisa, o que a gente se envergonha mesmo é de fazer e os outros descobrirem. Você se arrepende é de ter sido pego.
Dos mitos e verdades sobre os mitos e verdades
Postado em 19/01/2012 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários
Todo mundo detesta mentira. Isso é quase um cartão de visitas, seja num primeiro encontro ou na hora de elaborar uma breve descrição sobre si próprio, geralmente sempre vai haver um "sou muito verdadeiro, odeio mentiras".
Mas isso é um mito.
O fato é que ninguém suporta muito ouvir a verdade e, na maioria das vezes, ouvir uma mentira é muito mais legal. Seu amigo pode achar suas roupas ridículas, seu corte de cabelo escroto, sua voz irritante e no fundo até se perguntar porque diabos ele ainda é seu amigo, já que tudo em você o irrita, mas desde que diga que você é o cara,bem, ele vai poder continuar te pedindo cinquentinha emprestado e você vai continuar emprestando, tudo em nome da amizade.
Quem nunca deu entrevista para a TV enquanto tomava banho? Você fica ali contando como foi difícil chegar ao sucesso, como valoriza seus fãs, qual seu prato preferido e até dá dicas para iniciantes, como se estivesse no Programa do Jô ou no David Letterman.
Agora me diga: quem toma banho se imaginando preenchendo notas fiscais enquanto o chefe berra lá da sala que aquela planilha de Excel que ele te deu há 5 minutos já era para estar pronta "ontem"? Novelas, seriados e filmes de Hollywood movimentam milhões explorando esse nosso gosto pela fuga da realidade.
Se você vai numa boate junto com um amigo e não pegam ninguém, existem duas possibilidades de contar isso no dia seguinte pro resto da turma. Vocês dizem que não arrumaram nada e ainda gastaram 150 reais cada um só para terminar vomitando numa loja de conveniência às 4 da manhã, ou então fingem que acreditam que um pegou mesmo uma loira na saída do banheiro e que o outro deu uns beijos na barwoman nos fundos da despensa.
Dali a uns anos nem vocês vão saber se aquilo aconteceu mesmo ou não.
Quando alguém te mostra um trabalho, te pergunta o que você achou do novo corte de cabelo ou simplesmente diz que te ama, nunca, me deixe repetir, nunca vai esperar ouvir que o trabalho está uma merda, que o corte de cabelo ficou parecido com algum personagem do Planeta dos Macacos do qual você não lembra bem, mas sabe que não era um dos humanos, ou que você agradece muito aquele amor, mas infelizmente só pode retribuir com simpatia.
Todo mundo diz que adora verdade, mas só fica feliz quando ouve uma mentira. Caso contrário, porque uma frase como "a verdade dói" seria tão repetida a ponto de virar ditado popular?
Por isso aprenda de uma vez por todas: ninguém liga para a sua opinião, todo mundo quer mesmo é um elogio.
Mas isso é um mito.
O fato é que ninguém suporta muito ouvir a verdade e, na maioria das vezes, ouvir uma mentira é muito mais legal. Seu amigo pode achar suas roupas ridículas, seu corte de cabelo escroto, sua voz irritante e no fundo até se perguntar porque diabos ele ainda é seu amigo, já que tudo em você o irrita, mas desde que diga que você é o cara,bem, ele vai poder continuar te pedindo cinquentinha emprestado e você vai continuar emprestando, tudo em nome da amizade.
Quem nunca deu entrevista para a TV enquanto tomava banho? Você fica ali contando como foi difícil chegar ao sucesso, como valoriza seus fãs, qual seu prato preferido e até dá dicas para iniciantes, como se estivesse no Programa do Jô ou no David Letterman.
Agora me diga: quem toma banho se imaginando preenchendo notas fiscais enquanto o chefe berra lá da sala que aquela planilha de Excel que ele te deu há 5 minutos já era para estar pronta "ontem"? Novelas, seriados e filmes de Hollywood movimentam milhões explorando esse nosso gosto pela fuga da realidade.
Se você vai numa boate junto com um amigo e não pegam ninguém, existem duas possibilidades de contar isso no dia seguinte pro resto da turma. Vocês dizem que não arrumaram nada e ainda gastaram 150 reais cada um só para terminar vomitando numa loja de conveniência às 4 da manhã, ou então fingem que acreditam que um pegou mesmo uma loira na saída do banheiro e que o outro deu uns beijos na barwoman nos fundos da despensa.
Dali a uns anos nem vocês vão saber se aquilo aconteceu mesmo ou não.
Quando alguém te mostra um trabalho, te pergunta o que você achou do novo corte de cabelo ou simplesmente diz que te ama, nunca, me deixe repetir, nunca vai esperar ouvir que o trabalho está uma merda, que o corte de cabelo ficou parecido com algum personagem do Planeta dos Macacos do qual você não lembra bem, mas sabe que não era um dos humanos, ou que você agradece muito aquele amor, mas infelizmente só pode retribuir com simpatia.
Todo mundo diz que adora verdade, mas só fica feliz quando ouve uma mentira. Caso contrário, porque uma frase como "a verdade dói" seria tão repetida a ponto de virar ditado popular?
Por isso aprenda de uma vez por todas: ninguém liga para a sua opinião, todo mundo quer mesmo é um elogio.
Eu sou o pé ou o chinelo?
Postado em 17/01/2012 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários
Depois de uma certa idade todo mundo quer saber porque você ainda continua solteiro. Não interessa o fato de metade dos seus amigos que casaram terem separado antes de dois anos de casamento, o problema é você, que continua por aí fugindo do enlace matrimonial.
E basta ir numa festa, batizado, coquetel de divórcio, seja onde for, que fatalmente vai ter que explicar que sim, esta é uma opção sua e, sim, também é uma opção dos outros e, sim, também é porque você acha que não precisa unir seus defeitos intoleráveis com os defeitos intoleráveis de outra pessoa só para ser infeliz junto de alguém.
- Nossa, você é linda, independente, culta, porque tá sozinha?
- Ah, fui ficando mais exigente, sabe?
- Quem escolhe demais fica sem nada, viu?
Mas pense bem: você conhece uma pessoa que parece legal, rola aquela atração física, saem a primeira vez, ficam, resolvem que vão continuar e tal, e um belo dia a pessoa telefona e te chama pra uma micareta.
Como você quer dar uma chance, até pensa em ir, sabe como é, só pra agradar, mas depois pensa "E se isso der em namoro? Porra, eu vou ter que ir a micaretas o resto da vida". E então comete aquele erro fatal que faz as pessoas gostarem bem menos de você: é honesto. Vira e diz "pô, micareta não rola, eu simplesmente tenho mais horror disso do que de um tsunami de bosta". Pronto, lá se vai aquela possível relação embora atrás do trio elétrico.
O problema é que isso tudo soa muito razoável na hora, mas quando você vai contar para alguém sempre fica parecendo que foi um exagero seu:
- Qual o problema? Uma micaretinha de vez em quando? Você é muito intolerante.
Dito isso a mocinha resolve deixar de ser "tão intolerante" e cede às cantadas de Reginaldo Rossi do filho do vizinho. Combinam uma saída no domingo (programa mais light e tal) e quando entra no carro dele nota que o MC Jibóia está tocando no volume máximo, olha os CDs tentando achar algo que se salve, mas só encontra Parangolé, Chiclete, Revelação e Swing & Simpatia (ou seja lá como se chamam essas coisas), aí pensa: preciso mesmo namorar alguém que ouve a trilha sonora do Domingão do Faustão?
Mas a cobrança nunca termina:
- Se você não escolhesse tanto.
- É, acho que é chatice mesmo, pronto, eu escolho demais, admito. Agora vamos falar mal de outra pessoa que esteja ausente? É mais divertido.
- Não se irrite, sempre tem um chinelo velho pra um pé cansado.
- Sério? Então me diz, você acha que eu sou o pé ou o chinelo?
E basta ir numa festa, batizado, coquetel de divórcio, seja onde for, que fatalmente vai ter que explicar que sim, esta é uma opção sua e, sim, também é uma opção dos outros e, sim, também é porque você acha que não precisa unir seus defeitos intoleráveis com os defeitos intoleráveis de outra pessoa só para ser infeliz junto de alguém.
- Nossa, você é linda, independente, culta, porque tá sozinha?
- Ah, fui ficando mais exigente, sabe?
- Quem escolhe demais fica sem nada, viu?
Mas pense bem: você conhece uma pessoa que parece legal, rola aquela atração física, saem a primeira vez, ficam, resolvem que vão continuar e tal, e um belo dia a pessoa telefona e te chama pra uma micareta.
Como você quer dar uma chance, até pensa em ir, sabe como é, só pra agradar, mas depois pensa "E se isso der em namoro? Porra, eu vou ter que ir a micaretas o resto da vida". E então comete aquele erro fatal que faz as pessoas gostarem bem menos de você: é honesto. Vira e diz "pô, micareta não rola, eu simplesmente tenho mais horror disso do que de um tsunami de bosta". Pronto, lá se vai aquela possível relação embora atrás do trio elétrico.
O problema é que isso tudo soa muito razoável na hora, mas quando você vai contar para alguém sempre fica parecendo que foi um exagero seu:
- Qual o problema? Uma micaretinha de vez em quando? Você é muito intolerante.
Dito isso a mocinha resolve deixar de ser "tão intolerante" e cede às cantadas de Reginaldo Rossi do filho do vizinho. Combinam uma saída no domingo (programa mais light e tal) e quando entra no carro dele nota que o MC Jibóia está tocando no volume máximo, olha os CDs tentando achar algo que se salve, mas só encontra Parangolé, Chiclete, Revelação e Swing & Simpatia (ou seja lá como se chamam essas coisas), aí pensa: preciso mesmo namorar alguém que ouve a trilha sonora do Domingão do Faustão?
Mas a cobrança nunca termina:
- Se você não escolhesse tanto.
- É, acho que é chatice mesmo, pronto, eu escolho demais, admito. Agora vamos falar mal de outra pessoa que esteja ausente? É mais divertido.
- Não se irrite, sempre tem um chinelo velho pra um pé cansado.
- Sério? Então me diz, você acha que eu sou o pé ou o chinelo?
O Brasil é assim, muito legal, sabe? Menos nas férias
Postado em 12/01/2012 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários
Nunca entendi essa turma muito bem definida pelo Antônio Prata como "meio intelectual, meio de esquerda". Sério, porque até desculpo o gosto deles por botequins imundos, afinal é uma opção pessoal, mas o que me deixa meio intrigado é a preferência deles por transformar o mundo num botequim ruim.
Pode notar: sempre que alguma prefeitura de qualquer lugar do Brasil resolve ordenar alguma área, eles aparecem. Se é uma operação para coibir camelôs, é porque o governo mancomunado com os poderosos e os interesses ianques quer destruir o "comércio popular".
Se é uma ação para transformar algum pedaço de chão chamado de "Cracolândia" num conjunto de praças e prédios, é porque o governo mancomunado com os poderosos e os interesses ianques quer fazer uma gentrificação da área.
Quando a polêmica gira em torno da remoção de alguma favela, bem, é porque o governo mancomunado com os poderosos e os interesses ianques quer promover higienismo. Se for retirada de população de rua, é porque o governo mancomunado com os poderosos e os interesses ianques quer atentar contra o sagrado direito de morar e defecar na calçada.
Se é para coibir a prostituição em algum rua, claro! Será o governo mancomunado com os poderosos e os interesses ianques querendo sequestrar nossas prostitutas para trabalhar como missionárias mórmon nos EUA.
É curiosa essa fixação deles pela manutenção do lixo, ratos, depententes químicos, barracos, valas negras, prostituição, como se fossem bens antropologicamente intocáveis. Afinal, se isso é que faz o Brasil ser Brasil, essa "mistura" que deu certo (???), a terra da "tolerância", porque não deixar como está?
Gente boa, esclarecida, assim "meio intelectual, meio de esquerda", curte é pobreza, mas não o pobre que trabalha na portaria do seu prédio ou o que lava o seu carro importado em troca de 5 reais, tem que ser aquela pobreza alegórica, de pés no chão, casa de sapê, aquela coisa vanguardista, social, engajada.
Um lixão jamais pode deixar de existir, favelas então nem pensar, afinal, rendem umas fotos maneiras, uns curta-metragens legais para apresentar por aí em algum festival. Gera debate e, acima de tudo, proporciona uma forma deles se mostrarem moralmente superiores aos outros (esses insensíveis que não curtem lixo na calçada, vala negra, essas coisas tão brasileiras).
Imagina só: sem uma favela para comer uma feijoada e bater palmas num "samba de raiz", como essa gente ia se mostrar assim...de raiz? Como iriam esfregar na cara da sociedade elitista que eles são tão bons que até se misturam com o populacho? Claro que na hora de fazer um mestrado eles preferem a Europa, afinal, virar advogado com diploma de uma faculdade de fundo de quintal financiado pelo crédito educativo é coisa de pobre metido a besta e eles não são nem uma coisa nem outra.
Mas quando voltam da Europa eles chegam cheios de saudade. Correm logo pro botequim pra se empanturrar com caipirinha e farofa, botam o CD de forró pra tocar sem parar no Citröen, se envolvem com alguma ONG que luta contra a construção de um shopping center onde antes existia um cortiço e se dedicam sem pausa à manutenção de todas essas coisas tão legais que fazem o Brasil ser Brasil, como trocar o Halloween pelo Dia do Saci.
Porque o Brasil é assim, muito legal, sabe? Menos nas férias, porque aí eles vão visitar os velhos amigos que fizeram durante o mestrado na Europa.
Pode notar: sempre que alguma prefeitura de qualquer lugar do Brasil resolve ordenar alguma área, eles aparecem. Se é uma operação para coibir camelôs, é porque o governo mancomunado com os poderosos e os interesses ianques quer destruir o "comércio popular".
Se é uma ação para transformar algum pedaço de chão chamado de "Cracolândia" num conjunto de praças e prédios, é porque o governo mancomunado com os poderosos e os interesses ianques quer fazer uma gentrificação da área.
Quando a polêmica gira em torno da remoção de alguma favela, bem, é porque o governo mancomunado com os poderosos e os interesses ianques quer promover higienismo. Se for retirada de população de rua, é porque o governo mancomunado com os poderosos e os interesses ianques quer atentar contra o sagrado direito de morar e defecar na calçada.
Se é para coibir a prostituição em algum rua, claro! Será o governo mancomunado com os poderosos e os interesses ianques querendo sequestrar nossas prostitutas para trabalhar como missionárias mórmon nos EUA.
É curiosa essa fixação deles pela manutenção do lixo, ratos, depententes químicos, barracos, valas negras, prostituição, como se fossem bens antropologicamente intocáveis. Afinal, se isso é que faz o Brasil ser Brasil, essa "mistura" que deu certo (???), a terra da "tolerância", porque não deixar como está?
Gente boa, esclarecida, assim "meio intelectual, meio de esquerda", curte é pobreza, mas não o pobre que trabalha na portaria do seu prédio ou o que lava o seu carro importado em troca de 5 reais, tem que ser aquela pobreza alegórica, de pés no chão, casa de sapê, aquela coisa vanguardista, social, engajada.
Um lixão jamais pode deixar de existir, favelas então nem pensar, afinal, rendem umas fotos maneiras, uns curta-metragens legais para apresentar por aí em algum festival. Gera debate e, acima de tudo, proporciona uma forma deles se mostrarem moralmente superiores aos outros (esses insensíveis que não curtem lixo na calçada, vala negra, essas coisas tão brasileiras).
Imagina só: sem uma favela para comer uma feijoada e bater palmas num "samba de raiz", como essa gente ia se mostrar assim...de raiz? Como iriam esfregar na cara da sociedade elitista que eles são tão bons que até se misturam com o populacho? Claro que na hora de fazer um mestrado eles preferem a Europa, afinal, virar advogado com diploma de uma faculdade de fundo de quintal financiado pelo crédito educativo é coisa de pobre metido a besta e eles não são nem uma coisa nem outra.
Mas quando voltam da Europa eles chegam cheios de saudade. Correm logo pro botequim pra se empanturrar com caipirinha e farofa, botam o CD de forró pra tocar sem parar no Citröen, se envolvem com alguma ONG que luta contra a construção de um shopping center onde antes existia um cortiço e se dedicam sem pausa à manutenção de todas essas coisas tão legais que fazem o Brasil ser Brasil, como trocar o Halloween pelo Dia do Saci.
Porque o Brasil é assim, muito legal, sabe? Menos nas férias, porque aí eles vão visitar os velhos amigos que fizeram durante o mestrado na Europa.
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