Em minha opinião couvert artístico é aquela taxa que te cobram por um show que geralmente você pagaria o dobro para não ter que ouvir. Pronto. A frase de efeito inicial está lançada para servir de abertura para a história que determina o porquê. Poderia ser mais de uma história, afinal por onde quer que você vá se divertir e conversar com alguém haverá um barzinho com música ao vivo para estragar seus planos.
Sinceramente não imagino alguém dizendo assim "vamos à churrascaria tal que tem um excelente cantor?". Aliás, até imagino, só que não pra mim. Quem me conhece há mais do que cinco minutos sabe que esse tipo de proposta equivale a me perguntar se eu quero realizar um exame de próstata num sábado à tarde, "só por diversão".
Mas certa vez fui num restaurante mexicano acompanhado da minha ex e de um casal de amigos. Era um restaurante que eu já freqüentava fazia um tempinho e que servia enchiladas, tamales, tacos e guacamole maravilhosos. Só que nesse dia eles resolveram incrementar o serviço contratando um cantor para fazer um estranho show guitarra-violão.
Se fosse só isso já seria um porre, mas o cara resolveu apresentar um rock-baião-psicodélico fusion de arranhar até ouvido de morcego. E nós ficamos ali na mesa realizando aqueles diálogos típicos de bar com música ao vivo, onde ninguém se entende:
- Muito legal o último filme do Woody Allen, né?
- O que tem o Spielberg?
- Não, eu disse Woody Allen, você mencionou o judeu errado.
- Ahh! Eu também acho muito errado esse negócio de anti-semitismo.
Isso sem contar aquele monte de "Ois?" e "Heins?" que éramos obrigados a soltar entre um guincho que a guitarra grunge dele produzia e um de seus gritinhos de Ney Matogrosso. Mas nada está tão ruim enquanto o artista não resolve tornar ainda pior contando piadinhas infames e pedindo para que cantem junto com ele.
Se a cacofonia permitisse que organizássemos nossos pensamentos, com certeza em pouco tempo chegaríamos à conclusão de que aquilo não estava divertido, mas nem pensar direito nós conseguíamos, até que nosso subconsciente nos levou a pedir a conta, numa bela demonstração do instinto de sobrevivência do ser humano.
E quando a conta chega, vem o choque. Cada um de nós deveria pagar a módica quantia de 15 reais pela honra de ser importunado durante mais ou menos duas horas e, talvez, pela indigestão que as quesadillas e nachos musicais causariam.
Chamei a proprietária do local e o diálogo foi bastante interessante:
- Tudo bem? Olha, acho que tem um erro aqui, nossa conta veio com R$ 60,00 a mais.
- Não, é o couvert artístico.
- Mas como assim? Eu não pedi essa música, na verdade essa música me incomodou durante todo o jantar e pra falar mais a verdade ainda, essa música é tão ruim que eu pagaria R$ 120,00 para não ter que ouvi-la, por isso não vou pagar R$ 60,00 por essa experiência infernal que vocês me proporcionaram.
- Olha, para o seu governo todos estão pagando sem reclamar e em segundo lugar, o músico, que por sinal é meu filho, é muito bom e você não deve entender nada de música para falar assim dele.
- Seu filho? Porque você então não paga os R$ 60,00 pra ele? E condicione isso a ele usar o dinheiro pagando uma aula de música, porque ele entende tanto de música quanto eu.
- Vou fazer uma coisa, não precisa mais pagar o couvert e eu agradeceria se o Senhor não voltasse mais aqui.
- Isso é fácil de você conseguir, basta dizer que ele vai tocar aqui todo dia que com certeza eu nunca mais volto.
E não voltei. Não por medo da música ruim, mas porque vai que ainda por cima eles resolvessem cuspir no meu chilli.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Opa! O Fusca é meu!
Uma das características mais admiradas nos outros atualmente é o despojamento. Como qualquer termo que virou clichê, ser "despojado" pode ter uns 200 significados e ao mesmo tempo não querer dizer nada.
Virou desculpa para aquele sujeito que passa a semana inteira usando a mesma cueca, uma blusa com duas manchas amarelas nos suvacos e que escova os dentes dia sim, dia não. Eu - e 90% das pessoas - diríamos que ele é porco mesmo, mas tem quem ache que ele é despojado.
O mesmo vale para quem não tem ambição alguma no emprego, para os que não tem emprego e para os que acham que emprego é pedir dinheiro emprestado para a mãe e para os amigos, ou mesmo para definir pessoas que se vestem casualmente e que encaram as coisas da vida de forma mais "cool".
Mas pode ser um sinal de generosidade, como aquele bilionário que doa 90% da sua fortuna para a caridade (esqueça que os 10% restantes compariam os rins, pulmões, fígado, baço, coração e cérebro seus, da sua família e de todas pessoas que você já tenha dito um "oi" em toda a sua vida no mercado de órgãos).
Vale para quem corta cabelo e faz a barba uma vez por ano, para quem coleciona apenas dois pares de meias ou para aquele seu amigo que tem um Fusca 76, todo enferrujado, com uma cadeira de praia no lugar do banco do carona e que sempre precisa ser empurrado para dar a partida no motor. Como eu disse acima, despojado pode ser tudo.
Despojamento também pode ser aquilo que os outros tem pelo que não é deles. Já explico.
Você está em casa dormindo num sábado de manhã. Seus amigos chegam fazendo a maior gritaria, abrem sua geladeira e começam a beber todas aquelas 20 latinhas de Guinness que você comprou pensando em beber uma por dia. Você não quer reclamar, afinal, não quer passar por egoísta, muquirana, creonte. Começa a se arrumar para ir na praia (que você nem quer) e um deles entra no banheiro para urinar a sua Guinness e batiza o espaço compreendido entre a porta do banheiro até a entrada do box, mas você também não reclama, afinal, o que são 50 reais de faxineira toda semana?
Solícito, você paga tudo sob promessas de "sacar e te devolver logo em seguida". Pensam em ir de ônibus, mas não tem nenhum que leve até a Praia Brava Bravíssima, que seu amigo indicou e disse que era uma maravilha.
Passam no caixa eletrônico, todos notam que ainda não receberam o salário e estão com o dinheiro contado, você se conforma com o calote da padaria e finalmente tomam um taxi, que avisa logo de cara que só vai até o final da estrada de asfalto e o resto terão que ir a pé. Nesse momento, já com o carro andando, ar-condicionado desligado, morrendo de calor, ouvindo um pagode na rádio AM do taxista, você pensa que talvez teria sido melhor ficar em casa vendo um amistoso entre o Araxá e o Ibitipoca na TV, mas tudo bem, você não é mau colega e não liga de pagar um rateio no táxi que te deixará no meio do caminho para passar um dia legal com seus amigos na praia.
Um pouco depois, já caminhando por uma estrada de terra, debaixo de sol e suando que nem um porco (porque dizem "suando que nem um porco", aliás? Já viu porco suar?) você definitivamente conclui que é melhor ser mau colega do que passar por aquilo tudo, até que após meia hora de caminhada vocês chegam num pedaço de uns 200 metros de praia entupido de gente, churrasqueiras, câmaras de ar na água e...carros!
"Pera aí, você não disse que era uma praia deserta que não dava pra chegar de carro?"
"Não, eu disse que era uma praia que ficava longe, depois de uma estrada de terra"
"E porque então você não tirou aquele Fusca da garagem e a gente veio nele, ao invés de andar no sol que nem um monte de cornos?"
"Você acha que eu ia colocar o meu Fusca nessa estrada esburacada?".
Moral da história: ser despojado é sempre muito mais legal se for com as coisas dos outros.
Virou desculpa para aquele sujeito que passa a semana inteira usando a mesma cueca, uma blusa com duas manchas amarelas nos suvacos e que escova os dentes dia sim, dia não. Eu - e 90% das pessoas - diríamos que ele é porco mesmo, mas tem quem ache que ele é despojado.
O mesmo vale para quem não tem ambição alguma no emprego, para os que não tem emprego e para os que acham que emprego é pedir dinheiro emprestado para a mãe e para os amigos, ou mesmo para definir pessoas que se vestem casualmente e que encaram as coisas da vida de forma mais "cool".
Mas pode ser um sinal de generosidade, como aquele bilionário que doa 90% da sua fortuna para a caridade (esqueça que os 10% restantes compariam os rins, pulmões, fígado, baço, coração e cérebro seus, da sua família e de todas pessoas que você já tenha dito um "oi" em toda a sua vida no mercado de órgãos).
Vale para quem corta cabelo e faz a barba uma vez por ano, para quem coleciona apenas dois pares de meias ou para aquele seu amigo que tem um Fusca 76, todo enferrujado, com uma cadeira de praia no lugar do banco do carona e que sempre precisa ser empurrado para dar a partida no motor. Como eu disse acima, despojado pode ser tudo.
Despojamento também pode ser aquilo que os outros tem pelo que não é deles. Já explico.
Você está em casa dormindo num sábado de manhã. Seus amigos chegam fazendo a maior gritaria, abrem sua geladeira e começam a beber todas aquelas 20 latinhas de Guinness que você comprou pensando em beber uma por dia. Você não quer reclamar, afinal, não quer passar por egoísta, muquirana, creonte. Começa a se arrumar para ir na praia (que você nem quer) e um deles entra no banheiro para urinar a sua Guinness e batiza o espaço compreendido entre a porta do banheiro até a entrada do box, mas você também não reclama, afinal, o que são 50 reais de faxineira toda semana?
Aí vocês saem do seu apartamento, cheio de latinhas de cerveja jogadas por todos os cantos e guimbas de cigarro, e vão tomar um café na padaria da esquina antes da aventura praiana, afinal, a ordem natural das refeições saudáveis é cerveja-café-cerveja. Todo mundo pede aquele glorioso pão na chapa com um café com leite e aí seus amigos lembram que só estão com o cartão de débito.
Solícito, você paga tudo sob promessas de "sacar e te devolver logo em seguida". Pensam em ir de ônibus, mas não tem nenhum que leve até a Praia Brava Bravíssima, que seu amigo indicou e disse que era uma maravilha.
Passam no caixa eletrônico, todos notam que ainda não receberam o salário e estão com o dinheiro contado, você se conforma com o calote da padaria e finalmente tomam um taxi, que avisa logo de cara que só vai até o final da estrada de asfalto e o resto terão que ir a pé. Nesse momento, já com o carro andando, ar-condicionado desligado, morrendo de calor, ouvindo um pagode na rádio AM do taxista, você pensa que talvez teria sido melhor ficar em casa vendo um amistoso entre o Araxá e o Ibitipoca na TV, mas tudo bem, você não é mau colega e não liga de pagar um rateio no táxi que te deixará no meio do caminho para passar um dia legal com seus amigos na praia.
Um pouco depois, já caminhando por uma estrada de terra, debaixo de sol e suando que nem um porco (porque dizem "suando que nem um porco", aliás? Já viu porco suar?) você definitivamente conclui que é melhor ser mau colega do que passar por aquilo tudo, até que após meia hora de caminhada vocês chegam num pedaço de uns 200 metros de praia entupido de gente, churrasqueiras, câmaras de ar na água e...carros!
"Pera aí, você não disse que era uma praia deserta que não dava pra chegar de carro?"
"Não, eu disse que era uma praia que ficava longe, depois de uma estrada de terra"
"E porque então você não tirou aquele Fusca da garagem e a gente veio nele, ao invés de andar no sol que nem um monte de cornos?"
"Você acha que eu ia colocar o meu Fusca nessa estrada esburacada?".
Moral da história: ser despojado é sempre muito mais legal se for com as coisas dos outros.
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quarta-feira, 1 de setembro de 2010
O templo da discórdia
Nas últimas semanas a já conturbada política americana ganhou mais um elemento literalmente explosivo: a proposta por parte de uma sociedade islâmica de construir uma mesquita a poucos metros do Marco Zero, o local onde estavam as duas torres do World Trade Center.
Obviamente isso gerou uma gritaria por parte dos conservadores e uma gritaria de igual tamanho por parte da turma da tolerância. Até o aiatolá, quer dizer, presidente Hussein Obama, já declarou seu apoio ao "direito" dos muçulmanos erguerem seu templo ali.
O que eu não consigo entender, sob nenhum aspecto, é onde se esconde o pessoal da "diversidade" quando um cristão é preso em algum país árabe pelo crime hediondo de portar uma Bíblia, ou porque eles não se chocam com o fato de outras religiões que não o islamismo serem proibidas em vários desses países, a despeito de gozarem de toda liberdade de culto no Ocidente.
Essa semana mesmo o ditador Líbio, Muammar Khadafi, recrutou 500 jovens italianas ao preço de 70 euros cada para tentar "converte-las" ao islã. Presenteou cada uma com um exemplar do alcorão e convidou-as a tornarem-se muçulmanas. Tudo isso em Roma, cidade onde está localizado do Vaticano.
Imaginem cena parecida, só que trocando o tiranete líbio por algum presidente de país ocidental em viagem ao Oriente, e substituindo os exemplares do alcorão por exemplares da Bíblia ou da Torah. Imaginem agora os protestos, xingamentos, badernas e sentenças de morte que isso não geraria.
Pelo mesmo motivo de proibirem crucifixos em seus países e reclamarem da proibição do uso do véu na França, e quererem construir perto de um local onde morreram brutalmente milhares de pessoas um templo em honra da religião dos seus algozes: falta de sensibilidade, falta de um mínimo de respeito pela dor dos parentes daquelas pessoas.
Mas parece quem em nome da tolerância o Ocidente terá que suportar até mesmo o culto dos seus assassinos, até o dia em que a tolerância não se fizer mais necessária, já que eles terão imposto suas vontades através da força.
A partir daí, esse apedrejamento ideológico estará definitivamente substituído por aquele propriamente dito, tão difundido nos países que a turma da tolerância defende.
Obviamente isso gerou uma gritaria por parte dos conservadores e uma gritaria de igual tamanho por parte da turma da tolerância. Até o aiatolá, quer dizer, presidente Hussein Obama, já declarou seu apoio ao "direito" dos muçulmanos erguerem seu templo ali.
O que eu não consigo entender, sob nenhum aspecto, é onde se esconde o pessoal da "diversidade" quando um cristão é preso em algum país árabe pelo crime hediondo de portar uma Bíblia, ou porque eles não se chocam com o fato de outras religiões que não o islamismo serem proibidas em vários desses países, a despeito de gozarem de toda liberdade de culto no Ocidente.
Essa semana mesmo o ditador Líbio, Muammar Khadafi, recrutou 500 jovens italianas ao preço de 70 euros cada para tentar "converte-las" ao islã. Presenteou cada uma com um exemplar do alcorão e convidou-as a tornarem-se muçulmanas. Tudo isso em Roma, cidade onde está localizado do Vaticano.
Imaginem cena parecida, só que trocando o tiranete líbio por algum presidente de país ocidental em viagem ao Oriente, e substituindo os exemplares do alcorão por exemplares da Bíblia ou da Torah. Imaginem agora os protestos, xingamentos, badernas e sentenças de morte que isso não geraria.
Perguntem se o Papa Bento XVI, algum patriarca da Igreja Ortodoxa ou algum rabino tem permissão para fazer o mesmo convite para jovens iranianas, sauditas ou líbias. Que tolerância é essa que obriga alguém a se render àqueles que pregam sua destruição?
A religião islâmica historicamente constrói mesquitas em locais conquistados. Será esse o simbolismo desse tipo de templo perto do local onde extremistas religiosos derrubaram as duas Torres Gêmeas?
Ainda mais sabendo que nenhum líder muçulmano esconde que sua religião converteria o Ocidente à força caso pudesse? Ora, a Igreja Católica abandonou um convento perto de Aushwitz para não ofender a memória dos judeus mortos ali. Isto não foi uma "rendição", mas um gesto de bom senso, num campo já tão carente dele quanto é o religioso. Porque os maometanos não podem fazer o mesmo?
Pelo mesmo motivo de proibirem crucifixos em seus países e reclamarem da proibição do uso do véu na França, e quererem construir perto de um local onde morreram brutalmente milhares de pessoas um templo em honra da religião dos seus algozes: falta de sensibilidade, falta de um mínimo de respeito pela dor dos parentes daquelas pessoas.
A partir daí, esse apedrejamento ideológico estará definitivamente substituído por aquele propriamente dito, tão difundido nos países que a turma da tolerância defende.
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terça-feira, 31 de agosto de 2010
Lula e Chávez: dois lados do mesmo tostão furado
Chávez: "Golf é esporte de burguês gordo
Lula: "Tênis é esporte da burguesia, porra"
Como podem notar, tanto no quesito idiotice quanto na truculência e falta de educação, ambos os tiranetes são iguais. O que difere? É que um vive num país com instituições democráticas mais frágeis como é a Venezuela, e conseguiu "tomar conta" mais rápido.
O outro apenas cuida - diariamente - de enfraquecer estas mesmas instituições no Brasil, talvez já na intenção de aprontar o mesmo por aqui. O "pensamento" - se é que podemos chamar qualquer coisa que sai dessas duas cabeças de pensamento - é bem parecido. O "nós" contra "eles", o estado forte e aparelhado, o controle da mídia, o roubo de fatos históricos para transformá-los em mérito pessoal do "grande líder"
.
Lá, Chávez já roubou até mesmo Simon Bolívar. Aqui, Lula ainda não se disse a reencarnação de Tiradentes, talvez por medo de, quem sabe, ter o mesmo destino, ou talvez porque ache muito pouco. Afinal porque ser apenas um mártir se pode ser um deus?
O que os petralhas não entendem - talvez por falta de inteligência, talvez por mau-caratismo ou talvez porque estejam ocupados demais tentando dizimar qualquer coisa que se oponha a eles - é que os seus opositores não querem que eles se calem ou sejam varridos do mapa, querem é não ter que se calar e não sucumbir diante dessa nova modalidade de ditadura do Século XXI, que é a turba emburrecida, abrindo mão de ser indivíduo para aderir à manada, esmagando qualquer coisa que se coloque à sua frente em nome da "maioria". Não existe democracia plebiscitária.
Isso não é democracia, e está longe de ser liberdade.

Cabe apenas perguntar à Lula se o seu filho, que enriqueceu depois que ele entrou para o governo, é um burguês ou não. Perguntar o que seria afinal essa elite companheira, essa burguesia do capital alheio surgida no mandarinato petista. Esses empreenderores que curiosamente só ficam ricos nas diretorias de algum sindicato, partido ou depois que chegam ao governo.
Porque o conceito de "elite" e "burguesia" dessa gente é bastante deturpado, ainda mais quando se tem notícia de que um dos "grandes" ídolos de todos eles, o assassino chamado Che Guevara, adorava jogar um golfzinho e de que todo grão-petralha que se preze adora um vinho ou whisky importado.
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segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Oi, você sempre navega por aqui?
O senso comum - ou pelo menos muito comum - é de que a internet é o mundo colorido da mentira. Atrás de um computador qualquer um pode dizer qualquer coisa que existirá um paspalho em algum lugar que acreditará senão em tudo, em pelo menos em alguma parte da sua história.

Você pode dizer que é um delegado especializado em prender fãs de bandas adolescentes ou então que é um espião búlgaro aposentado. Você pode dizer um monte de bobagens à vontade e ainda assim arrumará um séquito de fãs e admiradores, independente do teor das bobagens que diga, e principalmente, você arruma alguém, a tal alma gêmea, em questão de um dia.
Chats e sites de relacionamento são verdadeiros balcões de pessoas atrás de outras pessoas. Você faz seu cadastro, posta ali as três melhores fotos que já tirou na vida - aquelas fotos que depois nem parece que era você ou que te fazem pensar "porra, porque meus pais não me fizeram assim de todos os ângulos?" - mente um pouquinho sobre suas intenções, faz uma dieta virtual que retira uns 10 quilos do seu peso verdadeiro, tenta ser um pouco engraçadinho sem no entanto parecer palhaço e pronto, começa assim a sua busca.
Sempre digo que na internet é bem mais fácil chegar em alguém do que na vida real. Primeiro porque a falta de contato olho no olho impede que um possível fora seja algo traumático. É bem mais fácil desligar o computador e fingir que nada daquilo aconteceu ou então dizer para si mesmo "ahh, deve ser uma gorda com cabelo no suvaco que usou a foto da prima gostosa" do que efetivamente levar um fora de uma gata num bar ou boate.

Depois porque você tem a chance de se mostrar para a pessoa (colocando uma lupa sobre suas qualidades e maquiando seus defeitos) antes dela te ver e ouvir em 3D e estéreo, o que muitas vezes complica tudo. Porque sempre tem aquele seu problema de ficar vesgo se olhar nos olhos da outra pessoa por mais de 2 segundos, o redemoinho na sua testa que faz parecer com que você tenha uma cicatriz no couro cabeludo ou então a sua velha mania de fazer o som de um porco quando ri.
Tudo isso sai da equação se os primeiros encontros que você tiver com o futuro amor da sua vida forem apenas através de bites e bytes. Com um pouco de paciência e uma dose de bom senso, dá pra você combinar que todo aquele "amor eterno, casa, cachorros e filhos" (não necessariamente nesta ordem) ficarão condicionados ao primeiro contato, ao já mundialmente famoso conceito do "rolar química".
Isso na verdade é um código social para dizer o seguinte: tudo bem, adorei conhecer você, mas quero te encontrar primeiro para ter certeza de que você não usou a foto de algum ator russo de filmes B e não tem nenhum típo de transtorno de masturbação compulsiva que te faça agir como um mico frenético.
E se tudo correr bem nesse primeiro encontro, ou seja, se a pessoa tiver todos os dentes na boca, uma margem de erro de uns 5 quilos apenas entre o que declarou nas conversas pelo msn e a realidade, desodorante em dia e não emitir sons enquanto mastiga, tudo está pronto para que você inicie sua busca pelas mentiras mais sutis, tipo ele não ser um ciumento possessivo que apenas diz que é "intenso" e ela não ser uma ex-noiva obcecada, dessas que marcam a data na Igreja escondida do namorado depois da terceira ida ao cinema.
Mas nesse ponto o relacionamento iniciado na internet chega na mesma encruzilhada que qualquer outro, que é você descobrir quem aquela pessoa é na verdade. Nessa altura tanto faz se você conheceu seu amado usando uma foto de 20 anos atrás, ou numa festa durante um porre que o fez parecer 20 anos mais novo, afinal, todo mudo mente e a gente jamais conhece o outro por completo.
A única coisa que até hoje eu não consegui entender muito bem como é que um quarentão acima do peso, casado e com tantos fios de cabelo na cabeça quanto o Marcelo Tas consegue se virar para pegar uma gatinha de 22 anos depois de contar para ela que ele é moreno, forte, olhos verdes e tem um peitoral de remador.
E olha que isso é mais comum do que você imagina.
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sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Fecha as portas, Palmeiras!
Tenho um amigo que diz que o Palmeiras deveria fechar. Ele acha que, nos últimos 10 anos principalmente, o clube manchou tanto a sua história que seria mais negócio acabar com o futebol e virar um clube de bocha junto com um museu daquilo que já foi um dia.

Eu que sempre achei essa idéia "meio" radical começo a concordar com ele. Primeiro porque o clube parece mesmo não ter solução. Senão porque será que os técnicos mais renomados do país como Leão, Luxemburgo, Muricy e Felipão passaram por ali nessa última década e, à exceção de um Paulistinha do Luxemburgo, o time não conseguiu nada além de derrotas, humilhações e vexames? O final melancólico, digno de um clubinho de interior, no Brasileirão 2009, entregando um título que já estava na mão é a maior prova disso.
E a despeito do elenco horrível, com jogadores como Max - o atacante com a impressionante marca de 1 gol a favor e um contra em mais de uma dezena de jogos - o problema também não parece ser apenas esse, já que nomes como Vágner Love, Keirrison, Diego Souza, Gamarra, entre outros passaram pelo clube nestes últimos anos.
O problema, como aponta o meu amigo, é o Palmeiras mesmo. O Palmeiras não está em má fase, o Palmeiras é a má fase.
Tanto que sua torcida se acostumou a perder, a ser perdedora. Passou a achar normal ver humilhações como essa mais recente, com o time levando uma surra do poderoso Atlético Goianiense em pleno dia do seu aniversário.

A torcida palmeirense - com seus "tsunamis" ridículos, já que sou do tempo em que tsunami de camisas acontecia sempre que qualquer time vencia um título - com seus ídolos de pés de barro como o goleiro Marcos - que entregou o Mundial do time com uma borboletada e que não joga em alto nível há pelo menos uns 8 anos - e seu conformismo que nada cobra, nada reclama, tudo aceita e aplaude também é responsável pela péssima fase do clube, mas não a única culpada.
O maior culpado disso é o próprio Palmeiras, com suas eternas promessas, suas longas negociações em que dias se tornam semanas e semanas se tornam meses, seus obscuros jogadores que a despeito de não produzirem nada em campo tem contratos renovados por anos, seus negócios mirabolantes como vender o Valdívia e comprar de volta pelo dobro do preço, seus diretores apatetados que desmentem uns aos outros através da imprensa, seu presidente que aparece num vídeo dizendo que vai "matá us bambi", fala bobagens na TV e, segundo informam alguns veículos de comunicação, multiplicou as dívidas sem resultado prático algum.
Essa tal "Arena Palestra", que sempre precisa de "mais uma licença", é o retrato exato do que o Palmeiras virou: um site na internet, imagens do que já foi e do que poderia ser, poemas, textos emocionantes e um verdadeiro monte de entulho se arrastando dentro de campo. Uma promessa que não acontece, uma rua cheia de quebra-molas, uma espera sem fim, uma obra que quando finalmente fica pronta, está cheia de remendos por fazer.
E vendo a política do clube a perspectiva é ainda pior, já que os supostos candidatos na próxima eleição são uns piores do que os outros.
Talvez meu amigo esteja mesmo certo, se for pra não fazer nada, se for pra continuar sendo essa eterna promessa, esse eterno "campeão do ano que vem", talvez seja melhor fechar as portas e viver só de passado, já que o presente só parece servir para manchá-lo.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Porquê José Serra
Ainda lembro a eleição de 2002. O Brasil clamava por mudança, mas não uma mudança qualquer, desgovernada, e sim uma mudança que levasse à toda população os benefícios que a estabilidade econômica proporcionou à economia.
Lula venceu e a utopia deu lugar à realidade da tarefa de governar um país, veio o mensalão, vieram os aloprados, ocorreu todo o aparelhamento da máquina pública, as alianças com Renan Calheiros, José Sarney e Fernando Collor, a ideologização do Ministério das Relações Exteriores, enfim, tudo o que levanta críticas dos não batizados no petismo.
Mas houve uma coisa que, a despeito da vontade dos radicais petistas, ficou inalterada: a política econômica que tirou o Brasil de taxas de inflação zimbabuanas.

Ele realizou a mudança com a direção necessária e foi sábio ao contrariar tudo o que a cartilha petista sempre pregou, ou seja, calote no FMI, reversão das privatizações, flexibilização dos gastos públicos e todas aquelas receitas esquerdóides que se mostram trágicas por onde quer que sejam implantadas, e está aí a Venezuela para não me deixar mentir.
Naquele ano, o então candidato oposicionista Luiz Inácio Lula da Silva - ainda longe de ser alçado à atual condição de semi-deus que faz verter das torneiras mel e leite - inspirava e amedrontava ao mesmo tempo. A ânsia por "mudança" vinha de mãos dadas com o medo da "radicalização". O seu partido apresentou a "Carta ao Povo Brasileiro", na qual acalmava temores e assegurava que as bases da economia do país seriam mantidas e o marqueteiro Duda Mendonça criou o personagem "Lulinha Paz e Amor", que transformou o raivoso metalúrgico do ABC em candidato imbatível.
Lula venceu e a utopia deu lugar à realidade da tarefa de governar um país, veio o mensalão, vieram os aloprados, ocorreu todo o aparelhamento da máquina pública, as alianças com Renan Calheiros, José Sarney e Fernando Collor, a ideologização do Ministério das Relações Exteriores, enfim, tudo o que levanta críticas dos não batizados no petismo.
Mas houve uma coisa que, a despeito da vontade dos radicais petistas, ficou inalterada: a política econômica que tirou o Brasil de taxas de inflação zimbabuanas.
O governo Fernando Henrique realizou - dentre tantas - a privatização das empresas de telefonia e assim uma linha telefônica deixou de ser jóia disputada a tapas - e deixada como herança - para ser um direito de todo cidadão. Bancos estaduais - antros de gastança - foram vendidos, a Lei de Responsabilidade Fiscal foi aprovada e as bases para um desenvolvimento sustentável foram deixadas.
Lula herdou um país pior do que aquele que vai deixar ao seu sucessor, assim como Fernando Henrique herdou um país pior das mãos do presidente Itamar. Simplesmente porque o Brasil atual, essa construção de muitas mãos que remete a Tancredo Neves - que arquitetou a democracia que vivemos hoje junto com outros tantos e que o petismo combateu por não ser "um dos seus" - não é obra de uma pessoa só, como a mentirosa propaganda lulo-petista quer fazer parecer.

E se houve algo em que Lula acertou, foi exatamente em não subverter esta obra tão trabalhosa, mas ao invés disso aprofundar a experiência do Plano Real e fazer aquilo que era a vontade do eleitor em 2002: distribuir renda, tirar pessoas da pobreza e criar bases para uma nova sociedade brasileira.
Ele realizou a mudança com a direção necessária e foi sábio ao contrariar tudo o que a cartilha petista sempre pregou, ou seja, calote no FMI, reversão das privatizações, flexibilização dos gastos públicos e todas aquelas receitas esquerdóides que se mostram trágicas por onde quer que sejam implantadas, e está aí a Venezuela para não me deixar mentir.
Hoje o Brasil pede continuidade. O Brasil não quer que os avanços resultados do trabalho árduo sejam postos a perder e é por isso que o Brasil merece que José Serra seja eleito seu presidente.
O que as pessoas precisam ter em mente é que o radicalismo petista não morreu. É que o partido é incorrigível, nunca achando erro algum em suas ações, por mais nefastas que sejam. A presença de personas como José Dirceu e Antônio Palocci na campanha da candidata de Lula, essa obscura criatura eleitoral chamada Dilma Rousseff, são a maior prova disto.
Caso este atentado, esta ameaça à República seja colocada na cadeira presidencial, o que acontecerá é que Lula - que por ser muito maior do que o PT consegue domar seu apetite pantraguélico - voltará para casa no dia 1º de Janeiro e o que sobrará no Planalto será esta senhora despreparada, claudicante e inepta, junto com todos aqueles mensaleiros e radicais que não foram afastados do partido.
Toda essa gente que acha bonito coisas como controle da impresa, comitês da verdade, aparelhamento do poder público, pelegagem, invasões do MST, amizade com as FARC, simpatia a regimes autoritários como os do Irã, da Venezuela, do Sudão, entre outros, estará ali, ao lado de uma personagem inventada por Lula, mas sem um décimo da força de Lula, a ser dominada pelo Partido que somente Lula consegue domesticar.
De outro lado desta história temos um homem que foi senador, prefeito da maior cidade do país, governador do estado mais rico da Federação e que, entre erros e acertos, tem a capacidade para dar ao país neste momento o que ele deseja, que é a continuidade do ciclo de crescimento, uma revolução na educação e na saúde e, principalmente, a manutenção da normalidade democrática.
Não existe democracia possível onde projetos de 20, 30 anos de poder estejam sendo engendrados em porões da mais reles ideologia. Não existe democracia sem oposição livre, imprensa atuante - sem receber mesada de estatais para fazer propaganda oficial disfarçada - e principalmente, sem alternância de poder.
O que só Lula era capaz de fornecer ao Brasil em 2002, que era mudança com direção, só José Serra é capaz de oferecer hoje, que é continuidade com avanços, liberdade e democracia.
Não me interessa o passado da Sra Dilma Rousseff, mesmo porque ela não tem algum que mereça destaque (a não ser negativo), não me interessa o que aconteceu no Brasil até ontem, porque é a partir de amanhã que todos teremos que viver e conviver com as decisões que tomarmos hoje.
Não espero perfeição, não espero o paraíso, mesmo porque quem é brasileiro pelo menos há mais de uma década já sabe que isso não é uma realidade para nós, mas quero um governo que entre acertos e erros, jamais tente calar aqueles que apontam seus erros, aqueles que criticam, que jamais demonize seus adversários e nunca tente infantilizar o nosso povo.
Não espero perfeição, não espero o paraíso, mesmo porque quem é brasileiro pelo menos há mais de uma década já sabe que isso não é uma realidade para nós, mas quero um governo que entre acertos e erros, jamais tente calar aqueles que apontam seus erros, aqueles que criticam, que jamais demonize seus adversários e nunca tente infantilizar o nosso povo.
Não precisamos de "pai" e nem de "mãe" da nação, precisamos de um Presidente da República, ciente de suas obrigações e que acima de tudo, respeite os limites da democracia.
E é por isto, pelo futuro, pela democracia e pelo Brasil que conhecemos até hoje - com todas as suas imperfeições, porém livre - que desejo profundamente que José Serra seja eleito nosso 36º presidente e peço aos que me lêem - poucos, alguns ou muitos, não importa - que se juntem a mim nesta reflexão.
Sim, aquele mote de campanha é verdadeiro: o Brasil pode mais.
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